Principais tendências visuais para 2015


Se uma imagem vale por mil palavras, ninguém melhor para apontar tendências na comunicação que o maior banco de imagens do mundo. Pensando nisto, a Getty Images acaba de lançar a segunda edição do Creative In Focus, prognóstico anual da empresa sobre as tendências visuais e culturais mais impactantes para o próximo ano. O objetivo do estudo, que conta com um livro e um e-book, é antecipar a maneira como o planeta vai olhar para o amanhã com base em pesquisas e percepções globais que as equipes criativas da Getty Images detectaram.
 
Para levantar os melhores insights de tais tendências para o mercado de comunicação, o Adnews conversou exclusivamente com Pam Grossman, diretora global de tendências visuais da empresa. “É possível levar esses conceitos para dentro das agências e anunciantes, mas evidentemente nem tudo vai servir para todos os clientes. As tendências são bem universais e funcionam globalmente, mas é preciso aproveitar apenas o que é relevante para cada estratégia e não meramente reproduzir as tendências”, explica Pam.
 
O primeiro dos conceitos apontados no estudo é o “Genderblend”, ou “a mistura de gêneros”, em português. Isso implica dizer que os papeis masculinos e femininos estão cada vez mais próximos e parecidos dentro e fora dos lares, fenômeno que ganhou força com a ascensão da mulher nos mais diversos palcos sociais nos últimos anos. “A presença da mulher está crescendo muito no mundo corporativo e social e isso gera inúmeras mudanças. Isso se reflete inclusive nas redes sociais, na busca por imagens e acaba impactando na publicidade também”, afirma Pam. Não à toa, recentemente a Getty Images lançou a coleção Lean In, que retrata conceitos do poder feminino.
 
A tendência que talvez tenha relação mais direta com o marketing é a “Vanguardians”. Basicamente ela representa o esforço das empresas e empresários na busca pela construção de bens sociais em seus negócios, principalmente os tão propalados valores socioambientais. Para Pam, o conceito mais evidente dentro desta tendência é a procura por um legado. 
 
“Ser um vanguardian não é tentar corrigir os problemas globais ou locais imediatamente, mas sim tornar-se um instrumento e uma inspiração para gerações futuras”. De acordo com a diretora, neste caso, as imagens mais buscadas são aquelas que mostram as pessoas olhando para o horizonte, visualizando o futuro. Além disso, muitas dessas pessoas são clicadas de baixo para cima, em pose praticamente heroica, um exemplo para o público em geral.
 
Outra tendência poderosa, a “Wonderlust” está relacionada com o novo senso de espaço e conexão entre as pessoas, sobretudo com a eliminação das barreiras geográficas em virtude das relações virtuais. De acordo com Pam, o volume de imagens de amigos documentando suas viagens nas redes sociais provocou um desejo maior por experiências enriquecedoras, que levem as pessoas para diferentes zonas emocionais e psicológicas.
 
Questionada mais especificamente sobre o uso de imagens na publicidade atual, a diretora da Getty Images falou sobre outros dois pontos importantes: a autenticidade e o futuro, que estão enraizadas em tendências como “Future Unknown”, “Mutant Nature” e “Merging Mediums”, descritas com riquezas de detalhes no livro. “As pessoas querem se conectar cada vez mais com a realidade, tipos físicos de todas as formas, gordo, cores, sexos, orientações sexuais e diversidade de maneira geral”, enumera. “Por outro lado, existe também uma busca por imagens e conceitos futurísticas”, diz Pam.
 
A respeito do mercado brasileiro, Pam diz que a busca sobre o Brasil é muito diferente para o mercado global e local. Enquanto globalmente os clientes procuram fotos óbvias e clichês como futebol, samba, praia e pontos turísticos, no próprio país as pessoas buscas imagens que reflitam o estilo de vida, o mundo dos negócios e as coisas mais reais possíveis para quem de fato vivencia o Brasil no dia a dia.
 
Por fim, Pam topou falar sobre uma reclamação constante de todo profissional que busca imagens, seja qual for o banco e a empresa contratada: a falta de fotos e ilustrações que retratem de maneira real os valores e a cultura do Brasil. Para atender essa demanda, a Getty está trabalhando de duas maneiras. “Eu fui até o Brasil em maio deste ano e fizemos o primeiro iStockalypse no país, evento onde juntamos vários fotógrafos e desenvolvemos inúmeras palestras. Educamos os fotógrafos locais para mostrar as nossas demandas e ensiná-los a trabalhar tanto para abastecer o mercado local, como o mercado global. A segunda maneira é a coleção chamada ‘moments’, com fotógrafos do mundo inteiro postando conteúdo local”, ressalta Pam.